terça-feira, abril 20, 2010

ABUNDA

PARTE TRASEIRA ACIMA DA COXA
Bunda flor, bundamor - Teatro de Dança

Eduardo Severino, Bundaflor, Bundamor
Teatro de Dança, S.P., 2010
Fotografia: Ines Correa
Interessante como o corpo, e algumas partes dele mais que outras, provoca. Enquanto de joelhos clicava, na poltrona logo atrás de mim duas moças murmuravam maliciosas: “Olha a mulher ali fotografando. Parece até que tá orando”. Se eram crentes, abandonaram a crença. Descrentes deixaram uma série de risadas cruzar meu ouvido pelos fundos. Pela frente, do palco ouvia um samba ruidoso, “Não Me Diga Adeus”, de Luis Soberano e Paquito.


Já que comecei falando de bunda e de música, não posso deixar de lembrar quando a bunda entrou na letra da música Pagu, de Rita Lee e Zélia Duncan, que desmascara a obsessão nacional.
Se bunda é cultura? Tudo pode ser ou não, depende do ângulo que é visto. No Brasil falar em corpo sem falar em bunda é como entrar na casa de alguém e não aceitar um cafezinho. A predileção pela parte traseira acima da coxa é quase unânime. 


As revistas não cansam de publicar de todas as formas e cores, de muitos nomes e sobrenomes, femininas principalmente. Canso de ver. Mesmo porque todas nós temos no mínimo um exemplar disponível em casa. 


Bunda flor, bundamor - Teatro de Dança

Luciano Tavares, Bundaflor, Bundamor
Teatro de Dança, S.P., 2010
Fotografia: Ines Correa



Os primeiros nus masculinos na história da fotografia surgiram em 1872, com fins científicos. O britânico que foi fazer “dinheiro” na América, Eadweard Muybridge, fotografou homens nus, mulheres, animais e ele próprio para retratar o movimento do corpo. Seus estudos foram publicados em 1887. Mesmo sendo um trabalho de pesquisa, um escândalo aceitável para século XIX.

Eduardo Severino, da Eduardo Severino Cia. de Dança, Rio Grande do Sul, utilizou textos do livro do historiador francês Jean Luc Henning, “A breve história das nádegas” como objeto de pesquisa coreográfica para o espetáculo Bundaflor, Bundamor que ficou em cartaz no mês de abril no Teatro de Dança. Queria ter visto? Encontrei o Eduardo Severino no Pátio do Colégio sábado e ele me disse que volta pra São Paulo no segundo semestre. Para você que não viu, as imagens esculturais de Eduardo Severino e Luciano Tavares aqui retratadas.

4 comentários:

Iara Cerqueira disse...

Impressionante, como a imagem em si fala mais que a bunda..........
Lindas as fotos, seu olhar sensível na captação dessa imagem demonstra sua paixão pela arte que nos transmite e nos contamina com uma belíssima qualidade que se encontra embutida em sua criatividade e amadurecimento profissional.

Bjus linda!

Alesi disse...

adorei !!!!!!!!

Inês Correa disse...

Uau Iara, obrigada. Comentário pra pensar e não desistir jamais. Beijo linda, I.

Inês Correa disse...

Alesi querida, vc me inspira muitos posts. Penso sempre nas conversas que temos entre as interrupções do tempo. Beijo