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sábado, abril 23, 2011

NO CEU, EM ABRIL E MAIO


Fotografia: Inês Corrêa
(Para ler a programação completa, clique na imagem do catálogo acima)


Cadeiras de Rosas, com Helena Bastos e Raul Rachou, direção de Ana Teixeira esteve no Corpoemimagem em 2010, aqui e aqui. Este ano durante, os meses de abril e maio, haverá uma temporada no  CEU em diversos bairros da cidade de São Paulo. Veja acima a programação completa.

segunda-feira, agosto 30, 2010

DAR AR

Imagens de um porão cheio de ar




Palco vazio
"É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar" (Chico Buarque)
E um palco vazio também




Wellington Duarte e Eliana de Santana


No porão do Centro Cultural São Paulo


De cócoras, mas não "como eles", trocando idéias...


O público visita o cenário do "Rútilo Nada"
Centro Cultural São Paulo, 2010
Fotografias: Ines Correa

Na última quarta-feira, no Centro Cultural São Paulo, a primeira edição de "Entre todas as coisas - Dança Expandida", novo projeto de curadoria de Alexandra Itacarambi. Alexandra abre o porão do CCSP para que os artistas da dança com alguma coreografia realizada possam  experimentar, pesquisar, enfim, dar outros caminhos para seus trabalhos. Ou não. A eles é dada a rica oportunidade de ter um tempo a mais para pensar e estudar. Rica e cada vez mais rara. Produzir, ter um produto final é a linguagem deste mercado chamado "indústria cultural". Não sei porque utilizei as aspas. O mercado cultural está em crise profunda assim como todos os outros por falta de tempo para elaboração de uma obra.  Você virou indústria, eu virei indústria. A escola é uma indústria. Indústria fonográfica, indústria cinematográfica, indústria fotográfica. 

A demanda de novidades e estréias é enorme. Mas o artista precisa receber para "costurar" sua obra. E só recebe para apresentar o espetáculo pronto.  Não é pago para pesquisar.  Entretanto, "Entre todas as coisas"  vai na contramão e propõe ao artista da dança uma coreografia de um tempo dele para que possa usar o velho porão,  o Espaço Cênico Ademar Guerra para refletir e ir além. O grupo pode convidar um profissional da dança para  ajudar a "botar lenha na fogueira" e aquecer as idéias, trocar figurinhas.

Na primeira edição Daniel Fagundes, Donizeti Mazonas, Suiá Burger Ferlauto e Wellington Duarte  foram provocados pela eletrizante Ana Teixeira. Quando cheguei, um pouco antes da hora, encontrei o grupo conversando.  Posso contar os bastidores porque foi contado depois ao público o que relato aqui. Respeito bastidor.)No cronograma do grupo havia a proposta de abrir o espaço ao público durante alguns dias, no que chamaram "Pensações"? Mas qual seria a pensação afinal? Como seria tratado o público?  Qual a expectativa dele? Cada dia seria de um jeito? Perguntas como essa pipocavam antes do público chegar. Minha  expectativa era mera curiosidade, como sempre. Não espero. Vou. Vejo. Participo sempre que possível. Foi um deleite. Um arraso. Quando as pessoas chegaram o espaço em si era o espetáculo. O público pode percorrer livremente e depois conversar com os bailarinos sobre a proposta.

Os outros dias? Não sei porque não estive lá. Infelizmente. Mas no dia em que estive, dividir idéias, pensar em outras ações, conhecer, trocar foi muito rico. E imagens daqueles momentos estão aqui e estarão nos próximos posts. Imagens de um porão cheio de ar. Próxima semana tem mais.

SAIA DE CASA - CULTURA PARA O CORPO

Entre todas as coisas, de Dança Expandida

Entretanto
(Pensações Abertas ao público)
Propositores: Daniel Fagundes, Donizeti Mazonas, Suiá Burger Ferlauto e Wellington Duarte Provocadora convidada: Ana Teixeira

Pensação 3 - dia 1.09.10, 19h
Pensação 4 - dia 2.09.10, 19 hrs


Espetáculo
Rútilo Nada
3 a 5.09.10 - Sexta a domingo, às 19h 
Espaço Cênico Ademar Guerra - Centro Cultural São Paulo

domingo, março 21, 2010

É A VEZ DO TANGO

Comecei a perceber uma febre saudável de tango. A primeira vibração veio da Sylvia Sanches, designer e fotógrafa que participou do projeto P.A.P.A – Participating Artists Press Agency, organizado pela socióloga holandesa Lino Hellings onde nos conhecemos. Quando não estava fotografando Sylvia falava e fala ainda o quanto adora dançar tango. Todo final de semana sai e vai dançar tango. E diz que provavelmente se acontecer de se apaixonar por alguém que não dance tango, “não rola”.

A Dora Leão, produtora cultural, no mês passado me convidou para ver o grupo de tango Gato Negro, lá no Grazie a Dio, Vila Madalena. Fui só ver para fazer um primeiro contato visual. Não fotografei. Fui desarmada (do que me arrependo muitas vezes mas não me arrependi dessa). Foi delicioso. E quem estava lá ? A Sylvia, claro.

Ontem a Ana Teixeira, bailarina e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, fez um convite: “Vamos amanhã na aula de tango do Vagner?”. Havia visto o Vagner no CED – Centro de Estudos de Dança ou CEC - Centro de Estudos do Corpo, coordenado pela Helana Katz, professora da pós graduação da PUC-SP. Mas não imaginava que ele fosse professor de tango.


Ines Correa_2517
São Paulo – Brasil, 2010
Fotografia: Ines Correa

Percebi, demorei até mas percebi, que o tango estava me perseguindo. Fui lá pra conferir. Eu, Ana e a Maíra, amiga da Ana. Encontrei um salão com pouca luz e algumas pessoas dançando tango. Muito mais gente do que imaginava encontrar. Ao menos mais do que se esperava depois de um dia de tanta chuva. Vagner Rodrigues e Raul Rachou trocando os pares e uma pista deliciosa para dançar e aprender ou aprender e dançar. Cada qual no seu tempo. Sem tempo para terminar.


Ines Correa_2523
Vagner Rodrigues
São Paulo – Brasil, 2010
Fotografia: Ines Correa

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Raul Rachou
São Paulo – Brasil, 2010
Fotografia: Ines Correa

Depois de alguns cliques só restava cair na dança. Ai, ai, ai. Tímida que sou demorei a deixar o corpo a vontade. Me recusei o quanto pude. A câmera fotográfica me olhava com ciúmes até. Mas entre os mestres Raul e Vagner acabou rolando e quando menos esperei estava podendo entender o prazer de dançar que Sylvia tanto repetia nas suas falas. O prazer do esforço físico, do suor, da dificuldade em atravessar algo com que não se tem muito contato, do tentar acompanhar a música (que foi bastante eclética), sentir muito calor, deixar o corpo leve e em movimento, se deixar levar sem medo, sentir o corpo no clima de uma atmosfera sensual e romântica.


Ines Correa_2524
Ana Teixeira
São Paulo – Brasil, 2010
Fotografia: Ines Correa

A música foi do samba até a milonga e passou pelo próprio tango, além de samba rock e muito mais … Como disse Raul, não sei se vou lembrar as palavras exatas mas talvez o sentido, também é muito rico deixar o ritmo do tango, os movimentos dessa dança, encontrarem soluções em outro tipo de música que não necessariamente o tango tradicional. E Vagner com muita sabedoria seduziu a fotógrafa a dançar pela primeira vez a dois. Entre os braços de um e depois outro mestre, não é possível não dançar. Inesquecível.

Tango e milonga - dança de salão
Onde: Espaço de Dança Ruth Rachou
Fone: (11) 3045 4813
Email: contato@ruthrachou.com.br
Endereço: Rua Fiandeiras, 669 - Vila Olímpia - São Paulo – SP